A SUIÇA EM POUCAS LINHAS
Dados Gerais
Com uma superfície de 41.300 km2, tem uma população de 7,4 milhões (20% são
estrangeiros)
A renda per capita é de US$ 43.000 (2003).
O idioma mais falado é o Alemão (63,7%), o Francês (20,4%), o Italiano (6,5%) e
o Romanche (0,5%)
Política
As estruturas políticas da Suiça actual foram definidas em 1848, tendo sido
criado um Estado Federal, com uma nova constituição, com um Parlamento Federal
e, ao mesmo tempo dão-se os primeiros passos na direcção da centralização.
A unidade nacional dependia do Estado, integrando todas as diversidades
políticas, linguísticas, étnicas e elementos religiosos que existiam numa
diminuta área da Europa, ocupada pela Suiça. O federalismo foi considerado o
único quadro que poderia abrigar a administração de um país com tamanha
diversidade.
Mesmo após as várias revisões da Constituição a autonomia fundamental dos 26
Cantões continua sagrada.
Os Cantões podem aumentar impostos e sancionar as suas próprias leis, desde que
estejam em conformidade com a legislação federal. Eles também elegem os seus
próprios governos e parlamentos.
Poderes governamentais
Os poderes do governo federal estão firmemente definidos na Constituição. Estes
poderes incluem a defesa, a segurança interna, as relações diplomáticas e a
política externa, a alfândega, os correios, os telefones e as comunicações
ferroviárias.
O Governo
O poder executivo – governo – composto por um gabinete de sete ministros, é
também chamado de Conselho Federal. Os membros são eleitos, reeleitos – e muito
raramente demitidos – pelo Parlamento em Berna.
O Conselho Federal e a Confederação têm um presidente mas este é um cargo
ocupado em forma de rotação anual entre os sete ministros do Governo Federal
Suíço.
Como só há sete ministérios, o trabalho dos membros do Governo é intenso.
Política de Consenso
Um princípio fundamental do Conselho Federal, composto por 4 partidos, é a
necessidade de buscar consenso e demonstrá-lo perante o Parlamento e a opinião
pública. Isto só pode ser conseguido após um longo e fundamental debate. Não é
raro que um ministro tenha que representar a política da maioria dos sete
membros, mesmo não estando de acordo com a mesma.
Apesar de não estarem no centro de grandes negócios, os actuais membros do
Gabinete são bem remunerados. Cada um recebe um salário de cerca de 400.000
francos suíços (US$ 316.000) por ano. Os membros do Governo desfrutam do
prestígio próprio da alta sociedade mas, mesmo assim, viajam de vez em quando de
comboio, para trabalharem em Berna.
Equilíbrio
Segundo norma não escrita, os três maiores Cantões – Zurique, Berna e Vaud –
devem estar representados no Conselho Federal. Isto significa que Cantões como
Genebra, provavelmente o mais conhecido da Suiça, possam ficar sem representação
no Gabinete durante décadas.
Parlamento
A legislação nacional é tarefa do Parlamento Federal em Berna, que habitualmente
se reúne para as suas quatro sessões de três semanas de duração, em cada uma das
quatro estações do ano.
O modelo do trabalho parlamentar é o reflexo de milícia ou de trabalho por tempo
parcial dos deputados e senadores que, quase sempre, têm uma actividade
profissional fora do Parlamento.
O Parlamento tem duas câmaras no mesmo edifício. Os membros da Câmara dos
Deputados, também chamada de Conselho Nacional, são eleitos por representação
proporcional. Os membros do Senado (ou Conselho dos Estados) são eleitos por
voto maioritário. Cada Cantão tem dois senadores.
Poder Popular
Uma vez que o Parlamento aprove uma lei que esteja pronta para entrar em vigor,
os cidadãos têm 100 dias para colectar 50.000 assinaturas para pedir um
referendo nacional sobre a questão.
É como se os cidadãos tivessem um freio nas mãos. Isto explica por que antes de
se apresentar uma proposta ao Parlamento , as partes interessadas são
exaustivamente consultadas.
Porém, os cidadãos não são apenas capazes de colocar freios em legislações. Eles
também podem apresentar propostas. Colectando 100.000 assinaturas, os cidadãos
podem forçar uma votação nacional sobre emendas ou alterações na Constituição.
Tratados internacionais de duração indeterminada, como a adesão às Nações Unidas
ou à Comunidade Europeia, precisam ser submetidos à votação popular.
Em resumo, pode dizer-se que os cidadãos Suíços estão capacitados para exercer
uma forte pressão sobre o legislativo e o executivo.
Neutralidade
Para a Suiça, neutralidade implica neutralidade armada, o que justifica a
vontade que o país sempre demonstrou de manter a sua defesa em respeitável nível
e por que o serviço militar continua compulsório, de acordo com a sua
Constituição.
A verdade é que a interdependência do mundo moderno torna cada vez mais difícil
uma neutralidade pura e ortodoxa.
Política Externa
A oferta de bons ofícios permanece como objectivo principal da política externa
Suiça.
Os esforços mais visíveis da Suiça são os projectos de ajuda ao desenvolvimento,
geralmente dirigidos às nações mais pobres e baseados na auto ajuda.
Economia
Desprovida de recursos naturais, a economia Suiça é quase totalmente dependente
das suas exportações, com um elevado valor acrescentado.
Em números absolutos, a Suiça é o 15º maior exportador do Mundo. As maiores
empresas Suiças – na indústria farmacêutica, por exemplo – podem, na melhor das
hipóteses, vender 2% da sua produção dentro da Suiça.
A abundância de água foi, de início, utilizada para mover os seus teares. Essa
imensa quantidade de água também se constituiu um pré-requisito para a indústria
de corantes, precursora do sector farmacêutico de hoje em Basileia.
Manufacturas
Os avanços tecnológicos na produção de energia hidroeléctrica levaram as
indústrias pesadas Suíças a construir centrais eléctricas, motores diesel para
navios e locomotivas eléctricas, exportadas para todas as partes do Mundo. Os
fortes nevões, nos mordentes meses de Inverno, foram um incentivo para os
agricultores usarem as mãos no fabrico de relógios.
O relógio é um bom exemplo do conceito de valor acrescentado que norteia a
economia Suiça. O custo da matéria-prima utilizada num relógio, seja ele vendido
por 100 ou por 3.000 francos suíços, não varia muito. Mas o trabalho consumido
em design, produção e marketing faz uma tremenda diferença. A “alta relojoaria”
ainda é um domínio Suíço. O mercado dos relógios de corda corresponde a um valor
superior a 50% das exportações Suíças. O total das exportações locais em 2005
superou a casa dos 11 biliões de francos suíços.
Embora a Suiça tenha numerosas empresas de porte – como a empresa gigante de
alimentos Nestlé, as companhias farmacêuticas Novartis e Roche, os bancos UBS e
Crédit Suisse, as seguradoras Winterthur e Zurich – essas famílias não são,
verdadeiramente, representativas do país como uma nação industrial. Tanto assim
que dois terços da produção económica Suiça derivam numa proporção de 98% de
empresas com menos de 50 empregados.
As PME – pequenas e médias empresas – empregam 1,45 milhões de pessoas, pouco
acima de metade de todos os empregados que não trabalham para estatais. Apenas
750 empresas têm quadro de trabalhadores superior a 250 pessoas, apesar de
representarem 30% de toda a força de trabalho.
Engenharia
Muitas dessas empresas actuam nos campos da engenharia eléctrica e mecânica.
Usualmente produzem utensílios como máquinas de precisão ou aparelhos
electrónicos cujas marcas não são muito conhecidas, mas exportadas para
indústrias de produção em todo o Mundo.
As indústrias Suiças de engenharia representam mais de 40% dos valores de todas
as exportações. A sua origem pode ser encontrada na mecanização da produção
têxtil.
A produção de maquinaria pesada Suiça abriu as portas para investimentos em
produtos mais especializados. Neste sector, a Suiça encontra-se entre os cinco
maiores exportadores do Mundo – incluindo artigos como máquinas têxteis, de
produção de papel, máquinas para o sector gráfico, de embalagens, de ferramentas
e equipamentos para pesagem e medição.
Indústria de serviços
Embora a Suiça mantenha uma forte base industrial, mais de metade da população
activa do país trabalha na indústria de serviços, como bancos, seguradoras e
turismo.
Os bancos e as companhias de seguros nacionais que operam mundialmente, em
sectores específicos como resseguros, lideram o seu segmento.
Os suíços são grandes poupadores – basta dizer que há uma média de duas
poupanças por habitante – e evitam ao máximo possível correr qualquer tipo de
risco.
Gestão de activos
A Gestão de activos sob todas as suas formas, é o ponto-chave dos serviços
bancários Suíços. Isto não é válido apenas para os dois “grandalhões” – UBS e
Crédit Suisse – mas também para inúmeros bancos privados, muitos deles
instalados em Genebra.
Investimentos
Enquanto a Suiça importa mais do que exporta, em valores ela tem grandes
investimentos no exterior. Os investimentos Suíços direccionados ao exterior
totalizaram 426 biliões de francos suíços no final de 2003, enquanto os
investimentos estrangeiros na Suiça, alcançaram a casa dos 190 biliões de
francos suíços.
Transportes
A Suiça tem uma das mais densas redes ferroviárias do Mundo, que cobre todo o
país.
A política Suiça de transporte quer transferir para as vias-férreas todo o
movimento de carga das rodovias e auto-estradas – fundamentalmente por razões
ecológicas. Isto aplica-se principalmente ao tráfego transalpino, entre o Norte
e o Sul da Europa.
Trabalho
As horas trabalhadas na Suiça superam as de nações vizinhas, com poucas pessoas
trabalhando menos de 40 horas semanais.
Fonte: www.swissinfo.org